Compartilhamos os destaques da nossa CARTA MENSAL AWARE ref. abril/2026.
No arquivo completo anexo, encontrará nossa análise mensal.
Internacional
- EUA: Abril marcou a passagem do teatro tarifário para um quadro mais concreto de pressão sobre preços e juros. O PIB do 1T26 cresceu 2,0% anualizado, abaixo do consenso, enquanto o CPI de abril subiu 0,6%, com energia liderando a alta e núcleos ainda resilientes, mantendo o Fed em posição mais defensiva.
- Europa: O bloco voltou a sentir sua principal restrição estrutural, energia. A inflação da zona do euro acelerou para perto de 3%, o BCE manteve juros, mas com comunicação menos confortável, enquanto a atividade permaneceu sem tração, com crescimento marginal e confiança ainda fragilizada.
- China/Japão: A China continuou crescendo de forma desequilibrada, com exportações e tecnologia sustentando a atividade, mas demanda doméstica, varejo e imobiliário ainda fracos. No Japão, a alta do petróleo e o iene depreciado voltaram a pressionar custos, enquanto o BoJ manteve juros em 0,75%, já sob debate mais intenso sobre normalização.
- América Latina: A Argentina seguiu com estabilização macro, mas com sinais crescentes de desgaste microeconômico, como inadimplência mais alta e consumo comprimido. No Chile, combustíveis mais caros reacenderam a pressão inflacionária e reduziram a margem de atuação do BC.
Brasil
- Panorama macro: Abril consolidou um quadro doméstico mais exigente, com inflação corrente menos confortável, atividade ainda resiliente e continuidade cautelosa do ciclo de cortes. Juros elevados, câmbio apreciado e menor impulso fiscal ajudaram a conter deterioração maior, mas sem devolver ao mercado a percepção de um ciclo linear de afrouxamento.
- Inflação & Atividade: O IPCA-15 subiu 0,89% e o IPCA cheio 0,67%, levando o acumulado em 12 meses para 4,37% e 4,39%, respectivamente, com pressão concentrada em combustíveis e alimentação. Ao mesmo tempo, o IBC-Br avançou 0,6% e a produção industrial cresceu 0,9%, reforçando a leitura de desaceleração apenas gradual.
- Trabalho & Fiscal: A taxa de desocupação subiu para 6,1% no trimestre encerrado em março, mas ainda foi a menor da série para esse período, enquanto o Caged mostrou criação líquida de 228,2 mil vagas formais. No fiscal, a arrecadação federal de março somou R$ 229,2 bilhões, alta real de 4,99%, melhor resultado da série para o mês.
- Síntese: O cenário doméstico segue construtivo, mas mais exigente. A inflação piorou na margem, a atividade permaneceu firme, o mercado de trabalho continuou sustentando renda e o fiscal entregou apenas alívio parcial, mantendo a condução do BC em modo gradualista.
Bolsas | Juros & Câmbio
- Bolsas globais: Abril foi de forte reversão em relação a março. O MSCI World subiu mais de 9%, o S&P 500 avançou 10,42%, o Nasdaq 15,64% e o Euro Stoxx 50 5,60%, em movimento puxado pelo cessar-fogo entre EUA, Israel e Irã e pela reprecificação do risco global.
- Brasil: O Ibovespa fechou praticamente estável, com leve queda de 0,08%, mas atingiu recorde histórico intramês de 198.657 pontos e acumulou alta de 16,26% no ano. O fluxo estrangeiro seguiu como principal vetor estrutural, com entrada líquida de R$ 11,55 bilhões no mês e R$ 60,7 bilhões no ano até 28 de abril.
- Juros & Câmbio: O Fed manteve juros entre 3,50% e 3,75%, enquanto o Copom cortou a Selic de 14,75% para 14,50%, preservando comunicação prudente. No câmbio, o dólar fechou abril em R$ 4,95, com queda de 4,39% no mês, e o fluxo cambial até 24 de abril estava positivo em US$ 5,984 bilhões.
- Ouro & DXY: O DXY recuou ao longo de boa parte do mês, favorecendo moedas emergentes, enquanto o ouro perdeu força após a forte corrida de proteção anterior, com a recomposição do apetite a risco global.
Perspectivas
- Global: O cenário segue sendo de choque de oferta ainda presente no petróleo, inflação global persistente e reaceleração puxada por tecnologia e inteligência artificial, combinação que mantém suporte a ativos de risco, embora com maior sensibilidade a juros longos.
- Brasil: A Aware mantém visão construtiva, mas reconhece que a abertura recente da curva e a piora das expectativas de inflação limitam movimentos mais fortes da bolsa no curto prazo. Mantém preferência por prefixados de médio prazo e postura conservadora em crédito privado.
- EUA: A carta segue vendo continuidade do bull market, apoiado por queda gradual dos juros reais e pelo ciclo de capex em IA, mas destaca que o ambiente corrente é de reflação, historicamente melhor para equities do que para bonds.
- Mercados: A preferência continua sendo por ativos reais, cadeia de IA, industriais e defesa, com duration reduzida em renda fixa global e postura seletiva em risco.
Estamos à disposição!
Atenciosamente,
Equipe Aware Investments