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CARTA AWARE

Compartilhamos os destaques da nossa CARTA MENSAL AWARE ref. Fevereiro/2026.

No arquivo completo anexo, encontrará nossa análise mensal. 

Internacional

  • EUA: Fevereiro foi marcado por perda de tração da economia americana, com desaceleração do PIB no 4T25 e sinais mistos no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, a escalada do conflito no Irã elevou o risco de pressão inflacionária via petróleo e logística, reduzindo o espaço para cortes de juros mais rápidos pelo Fed. 
  • Europa: A zona do euro mostrou recuperação modesta, mas ainda frágil e desigual. A alta recente dos preços de energia e a inflação antecipada complicaram o balanço do BCE, enquanto a indústria europeia continuou pressionada por margens comprimidas e custos elevados.
  • China/Japão/Índia: Na China, a inflação acelerou e a atividade seguiu heterogênea, com o choque energético limitando a margem para estímulos mais amplos. No Japão, o crescimento revisado do 4T25 abriu espaço para normalização futura, mas o BoJ manteve cautela. Já a Índia continuou crescendo bem, embora mais exposta ao risco energético e ao impacto do petróleo sobre conta corrente e inflação. 
  • América Latina: A Argentina seguiu com quadro macro frágil, combinando atividade pontualmente melhor com reservas apertadas, inflação persistente e risco de credibilidade. No México, a inflação subiu para 4,0% e reduziu o espaço para afrouxamento monetário mais rápido, apesar do avanço das discussões comerciais com o Canadá. 

Brasil

  • Atividade: O mês reforçou a leitura de desaceleração gradual, sem deterioração abrupta. O IBC-Br de janeiro subiu 0,1%, a indústria avançou 1,8%, o varejo cresceu 0,4% e os serviços subiram 0,3%, ainda sustentados por renda e emprego. 
  • Inflação & Juros: O IPCA-15 de fevereiro foi de 0,84%, com inflação em 12 meses em 4,10%, enquanto o IPCA cheio ficou em 0,70%, levando o acumulado para 3,81%. O mercado consolidou a expectativa de início do ciclo de cortes em março, após o BC manter a Selic em 15,0% e sinalizar espaço para flexibilização se o cenário-base se confirmasse. 
  • Trabalho & Fiscal: O mercado de trabalho seguiu apertado, com desemprego em 5,4%, rendimento real recorde de R$ 3.652 e criação líquida de 112,3 mil vagas formais em janeiro. No fiscal, apesar do superávit primário de R$ 86,9 bilhões no mês, o tema continuou no centro do balanço de riscos, com déficit primário projetado de 0,50% do PIB em 2026. 
  • Síntese: O Brasil entrou em fevereiro com inflação melhorando na margem, atividade moderando de forma ordenada e mercado de trabalho ainda resiliente. O BC abriu espaço para cortar juros em março, mas serviços, expectativas e fiscal seguiram como principais limitadores de um ciclo mais profundo. 

Bolsas | Juros & Câmbio

  • Bolsas globais: Fevereiro foi marcado por continuação da rotação global de portfólios, com capital saindo de mercados desenvolvidos e de tecnologia americana em direção a emergentes, Japão e ativos mais ligados a valuation e tangibilidade. O MSCI World ex-EUA acumulou alta de cerca de 8% no ano até o fim do mês. 
  • Brasil: O Ibovespa subiu 4,1% no mês, próximo de 190 mil pontos, com fluxo estrangeiro acima de R$ 15 bilhões, maior nível para fevereiro desde 2022. O movimento foi sustentado por valuations ainda atrativos, expectativa de corte da Selic e rotação global em favor de emergentes. 
  • Juros: No exterior, prevaleceu a leitura de manutenção do Fed em março, com flexibilização gradual ao longo do ano. No Brasil, a curva passou a refletir com mais clareza um primeiro corte da Selic em março, mas ainda em ritmo moderado e dependente da inflação, das expectativas e do fiscal 
  • Câmbio & Ouro: O real foi beneficiado por dólar global mais fraco, diferencial de juros elevado e entrada de recursos para emergentes; na tabela da carta, o dólar encerra o mês em R$ 5,13, com queda de 2,16%. Ao mesmo tempo, a escalada do conflito envolvendo Irã, EUA e Israel reacendeu o risco de inflação global mais persistente, sustentando a busca por proteção e reforçando a alta do ouro. 

Perspectivas

  • Global: A rotação de portfólios deve continuar, com redução de exposição a ativos long duration, especialmente tecnologia americana, e maior preferência por ativos reais, commodities, industriais e infraestrutura. 
  • EUA: A combinação de desaceleração gradual com inflação ainda resistente eleva o risco de um ambiente mais próximo de estagflação, o que limita o espaço do Fed e pede mais seletividade em ativos de risco. 
  • Brasil: A bolsa iniciou março com sinais de exaustão após o forte rali, e a Aware sugere mais cautela com realização parcial de lucros e uso maior de proteção. Também mantém visão mais conservadora sobre a extensão do ciclo de cortes da Selic do que a precificação de mercado indicava.
  • Mercados: A preferência segue por mercados emergentes relativamente sólidos, como o Brasil, mas com maior seletividade daqui para frente, dado o nível de preços já incorporado após a forte alta dos ativos locais.

Estamos à disposição!

Atenciosamente,

Equipe Aware Investments

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