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CARTA AWARE

Compartilhamos os destaques da nossa CARTA MENSAL AWARE ref. Março/2026.

No arquivo completo anexo, encontrará nossa análise mensal. 

Internacional

  • EUA: Março trouxe atividade mais fraca na margem, com PIB do 4T25 revisado para 0,5% anualizado, ISM de serviços perdendo força e inflação ainda pressionada, com PCE de fevereiro em 0,4% e núcleo em 3,0% a/a. O mercado de trabalho seguiu resiliente, mas sem força suficiente para aliviar rapidamente o Fed.
  • Europa: O bloco voltou a sofrer com energia mais cara, inflação reacelerando para 2,5% em 12 meses e demanda enfraquecida. O BCE manteve juros em 2%, mas o mercado passou a discutir risco de aperto adicional caso a pressão inflacionária persista.
  • China/Japão/Índia: A China começou o ano em base mais firme, com melhora em indústria, varejo e investimentos, mas já mostrou perda de tração nos PMIs e pressão maior de custos. No Japão, a inflação ao consumidor perdeu força, mas a alta do PPI e o choque de energia mantiveram o BoJ em posição cautelosa.
  • América Latina: A Argentina seguiu em processo de reorganização macro, com crescimento e desinflação, mas ainda convivendo com consumo comprimido e inadimplência em alta. No Chile, o choque do petróleo pressionou combustíveis, expectativas e popularidade do governo, recolocando energia no centro do debate macro.

Brasil

  • Atividade: O quadro seguiu de desaceleração gradual, sem deterioração abrupta. O IBC-Br cresceu 0,6% em fevereiro, a indústria avançou 0,9%, o varejo subiu 0,5% e os serviços ficaram estáveis em nível ainda elevado.
  • Inflação & Juros: O Copom iniciou o ciclo de cortes, reduzindo a Selic de 15,00% para 14,75%, mas com comunicação cautelosa. O IPCA de março foi de 0,88%, levando o acumulado em 12 meses para 4,14%, com piora na margem em Transportes e Alimentação.
  • Trabalho & Fiscal: A taxa de desocupação ficou em 5,8%, o rendimento real habitual chegou a R$ 3.679 e a criação de vagas formais permaneceu robusta. No fiscal, houve déficit primário de R$ 30,0 bilhões em fevereiro, embora o primeiro bimestre ainda tenha acumulado superávit.
  • Síntese: Março marcou o começo dos cortes de juros, mas em um ambiente mais exigente, com inflação menos confortável, atividade resiliente, mercado de trabalho ainda forte e maior cautela trazida pelo choque externo. 

Bolsas | Juros & Câmbio

  • Bolsas globais: Março foi de forte correção nos ativos de risco globais. O MSCI World caiu 6,55%, o S&P 500 recuou 5,09%, o Nasdaq 4,89% e o Euro Stoxx 50 9,26%, em meio ao choque do petróleo e à reprecificação inflacionária global.
  • Brasil: O Ibovespa mostrou resiliência relativa, caindo apenas 0,70% no mês e acumulando alta de 16,35% no primeiro trimestre. A bolsa foi favorecida pela exposição a energia e por fluxo estrangeiro ainda positivo.
  • Juros & Câmbio: A curva local passou a refletir início gradual dos cortes, mas com vértices longos ainda limitados pelo prêmio fiscal e pelo ambiente externo. No câmbio, o dólar fechou março em R$ 5,18, com alta de 1,0% no mês, e o fluxo cambial total ficou negativo em US$ 6,35 bilhões.
  • Ouro & DXY: O DXY teve fortalecimento pontual no início do mês com a fuga para proteção, enquanto o ouro caiu cerca de 13%, no pior desempenho mensal desde 2008, pressionado por liquidações forçadas.

Perspectivas

  • Global: O cenário segue marcado por choque de oferta no petróleo, reaceleração inflacionária de curto prazo e desaceleração gradual do crescimento, combinação desfavorável para ativos de risco.
  • Brasil: A Aware mantém visão construtiva para o mercado local, mas reconhece sinais de exaustão técnica após o forte rali. Vê oportunidade em prefixados após a abertura da curva, mas segue conservadora em crédito privado.
  • EUA: Apesar da rotação para fora de tecnologia, a carta segue vendo valor seletivo na cadeia de IA, ao mesmo tempo em que alerta para risco crescente de estagflação, com inflação persistente e mercado de trabalho perdendo fôlego gradualmente.
  • Mercados: A preferência continua sendo por emergentes, ativos reais, commodities e setores ligados à reindustrialização, com postura mais seletiva em risco e maior uso de proteção depois da forte alta dos últimos meses.

Estamos à disposição!

Atenciosamente,

Equipe Aware Investments

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