Compartilhamos os destaques da nossa CARTA MENSAL AWARE ref. setembro/2026.
No arquivo completo anexo, encontrará nossa análise mensal.
Internacional
* EUA: A economia manteve resiliência, com PIB do 2T26 revisado para 2,2% anualizado e PMI de serviços em 58,8. A inflação permaneceu elevada, com PCE de 3,4% em 12 meses, levando o Fed a elevar os juros para 3,75%–4,00%. O payroll de apenas 29 mil vagas em setembro, porém, trouxe sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho.
* Europa: A zona do euro mostrou recuperação da atividade, com PMI composto em 53,1, mas a inflação acelerou para 3,8%, pressionada pela energia. O BCE elevou os juros para 2,50%, enquanto a deterioração fiscal francesa e a fraqueza do mercado de trabalho alemão mantiveram os riscos elevados.
* China/Japão: A China seguiu crescendo de forma desigual, com exportações avançando 25% em agosto, mas varejo praticamente estagnado (+0,4%) e desemprego jovem de 18,9%. No Japão, o BoJ elevou os juros para 1,25%, maior nível em 31 anos, diante das pressões inflacionárias associadas à energia e ao iene depreciado.
* América Latina: A Argentina manteve crescimento interanual de 2,0% no 2T26, mas registrou retração trimestral de 0,6% e aumento da pobreza para 32,3%. No Chile, o Banco Central reduziu a projeção de crescimento para 0,25%–0,75%, enquanto o México manteve juros em 6,50%, diante da inflação persistente e dos impactos das tarifas americanas.
Brasil
* Atividade: O PIB desacelerou para 0,5% no 2T26, após expansão de 1,1% no trimestre anterior. O consumo das famílias recuou 0,4%, enquanto os investimentos cresceram 1,2%. Apesar da perda de dinamismo, o mercado de trabalho permaneceu resiliente, com desemprego de 5,3% e recorde de 103,5 milhões de ocupados.
* Inflação & Juros: O IPCA de setembro avançou 0,82%, levando a inflação acumulada em 12 meses para 4,58%, novamente acima do teto da meta. A alta foi impulsionada principalmente pela energia elétrica (+7,98%) e pela retomada dos preços de alimentos. O Copom reduziu a Selic para 13,75%, preservando cautela quanto à extensão do ciclo de cortes.
* Fiscal & Eleições: O setor público registrou déficit primário de R$ 10 bilhões em agosto, enquanto a dívida bruta atingiu 82,9% do PIB. O cenário eleitoral ganhou protagonismo, com pesquisas indicando disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro. No início de outubro, Flávio terminou o primeiro turno à frente, elevando a atenção do mercado para o segundo turno e para a futura agenda fiscal.
* Síntese: O cenário doméstico combina atividade em desaceleração, inflação ainda resistente e fragilidade fiscal. A proximidade das eleições elevou a sensibilidade dos ativos às pesquisas e às expectativas sobre a condução econômica do próximo governo.
Bolsas | Juros & Câmbio
* Bolsas globais: Setembro foi marcado por forte dispersão nos mercados americanos. O S&P 500 recuou 0,45%, o Dow Jones caiu 4,29%, enquanto o Nasdaq avançou 1,86%, sustentado pela inteligência artificial. A alta dos juros pressionou financeiras (-7,5%) e small caps, com aproximadamente 75% das ações do S&P 500 encerrando o mês em queda.
* Brasil: O Ibovespa avançou 5,03%, encerrando setembro aos 186.340 pontos e acumulando valorização próxima de 15,6% no ano. O desempenho foi sustentado pelo fluxo estrangeiro positivo de R$ 9,1 bilhões e pela continuidade da flexibilização monetária, com destaque para varejo e educação.
* Juros: Nos Estados Unidos, a Treasury de 10 anos avançou de 4,75% para 5,29%, maior patamar desde 2007, refletindo atividade resiliente e pressões inflacionárias. No Brasil, a curva longa permaneceu sensível ao cenário eleitoral e aos juros americanos, enquanto os spreads de debêntures incentivadas apresentaram abertura.
* Câmbio & Ouro: O dólar permaneceu praticamente estável frente ao real, encerrando setembro em R$ 5,18 (-0,01%). O ouro recuou 6,58% no mês, enquanto os índices de renda fixa IMA-B 5 e IRF-M avançaram 2,00% e 2,09%, respectivamente.
Perspectivas
* EUA: A combinação entre crescimento resiliente, inflação persistente e mercado de trabalho perdendo dinamismo mantém o Fed diante de um cenário mais complexo. A continuidade dos investimentos em inteligência artificial sustenta a atividade, mas os juros longos elevados ampliam a sensibilidade dos ativos.
* Europa & Ásia: A pressão energética segue como principal desafio inflacionário na Europa e no Japão. Na China, a dependência das exportações, combinada à fraqueza do consumo e do setor imobiliário, mantém a recuperação doméstica desequilibrada.
* Brasil: O segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, passou a concentrar as atenções. As expectativas sobre a composição da equipe econômica e o compromisso com a disciplina fiscal serão determinantes para a trajetória da curva de juros e dos ativos domésticos.
* Mercados: A concentração dos ganhos americanos em inteligência artificial e o aumento dos juros longos reforçam a importância da seletividade. No Brasil, o desempenho dos ativos deverá permanecer condicionado ao desfecho eleitoral, à trajetória fiscal e à evolução das expectativas de inflação.
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Equipe Aware Investments