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RELATÓRIOS E ARTIGOS ECONÔMICOS

4E RADAR ABR/2022

Cenário Internacional

EUA – A economia norte-americana recobrou tração no quarto trimestre após arrefecer em meio ao recrudescimento da pandemia em meados do ano passado.

Propelido pela recuperação do consumo pessoal – liderada por serviços – e investimento fixo não-residencial – sobretudo recomposição de estoques -, o PIB avançou 1,7% nos três meses encerrados em dezembro.

UE – No bloco europeu, o crescimento desacelerou no último trimestre do ano passado, após avanços robustos – na ordem de 2% – nos dois trimestres anteriores.

Na União Europeia, o PIB avançou 0,4% nos três meses encerrados em dezembro. Para a Área do Euro, que engloba apenas países da coalizão monetária, o crescimento foi de 0,3%, na mesma base de comparação.

Cenário Político20

Bolsonaro e seu governo

A pesquisa divulgada pelo instituto Poder 360 no dia 13/04 confirma os primeiros efeitos da distribuição do programa de transferência de renda, o “Auxílio Brasil”. Assim como o Datafolha e IPESP divulgaram nas últimas semanas, o Presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece, na pesquisa do Poder 360, com 29% de avaliação como ótimo/bom. Na última pesquisa do instituto, divulgada em março deste ano, o presidente aparecia com 27%. Aqueles que avaliaram o governo como ruim/péssimo atingiu os 53%, apenas 1 ponto a mais do que o último levantamento. Aqueles que avaliam o governo como regular, no entanto, caiu dos 19% para 15%. Cabe aqui destacar que esta é a terceira pesquisa que confirma a melhora na avaliação do atual governo.

A novela sobre os rumos da presidência da principal estatal, a Petrobras, chegou ao fim. Após a reunião do conselho dos acionistas, José Mauro Coelho foi indicado para ocupar a presidência e Márcio Weber para ocupar a chefia do conselho de administração da companhia. O perfil do candidato é mais técnico do que o do ex-presidente Silva e Luna. Coelho foi presidente do conselho de administração da Pré-Sal Petróleo (PPSA) e ocupou o cargo de secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia até outubro do ano passado. Antes, trabalhou por 12 anos na Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estatal do governo responsável pelo planejamento do setor elétrico.

O escândalo e polêmica envolvendo o governo nesta semana foi a compra de mais de 35 mil comprimidos de Viagra para as Forças Armadas. Mesmo com as declarações oficiais do Ministério da Defesa de que o remédio seria usado com a finalidade de tratar a hipertensão pulmonar, o Tribunal de Contas da União abriu um processo para fiscalizar a compra dos comprimidos.

PIB

O PIB do quarto trimestre registrou aumento de 0,5% na série livre de influências sazonais, acumulando crescimento de 4,6% em 2021 e atingindo o valor corrente de 8,7 trilhões de reais. Em relação ao mesmo período de 2020, o indicador cresceu 1,6%.

Após recuo de 2,2%, a produção industrial voltou a crescer em fevereiro e saltou 0,7% na série livre de influências sazonais. Prospectivamente, continuamos antevendo um cenário desafiador para indústria em 2022. Do lado da oferta, o conflito no leste europeu agravou as condições das cadeias logísticas e de produção globais. Do lado da demanda, o choque converte -se em uma intensificação do processo de depreciação do rendimento das famílias.

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu pelo oitavo mês consecutivo, terminando março em 95,0 pontos na série com ajuste sazonal. Já o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuou 3,1 pontos no mesmo período, alcançando 74,8 – também para os valores livres de influências sazonais.

PIB Regional

O resultado do PIB Regional no trimestre móvel terminado em janeiro de 2022 – na série dessazonalizada – trouxe destaques positivos para 19 Ufs.

Dado o comportamento sazonal, a Agropecuária foi o setor que apresentou maior crescimento (2,1%) no período. Os Serviços voltaram a apresentar resultado positivo (1,7%), neste trimestre móvel.

Todas as regiões observaram crescimento da atividade econômica no período. Na ponta positiva, a região Centro-Oeste obteve destaque diante das restantes, ao apresentar um crescimento de 4,6%. Tal movimento é explicado, em grande medida, pelo forte desempenho da
Agropecuária (5,5%), somado a resultados positivos no setor de Serviços e Indústria.

Com significativo crescimento da Agropecuária (2,6%), o Sudeste foi a segunda região a apresentar o maior crescimento (1,1%) neste trimestre móvel.

Mercado de Trabalho

Depois de avançar na última divulgação, a taxa de desocupação mostrou estabilidade e encerrou o trimestre móvel finalizado em fevereiro em 11,2%, o menor valor para o mês desde 2016.

A expansão da população empregada, com efeito, segue repercutindo a retomada do setor terciário, tradicionalmente intensivo em trabalho. A recomposição de serviços, por outro lado, carrega consigo – em um mercado marcado por um desemprego estruturalmente alto – posições de menor qualidade – tanto em termos salariais quanto legais.

O CAGED reportou, em fevereiro, a abertura líquida de 328 mil postos, efeito de cerca de 2,01 milhões de admissões e 1,67 milhões de
demissões. A série com ajuste sazonal indica arrefecimento do mercado formal de trabalho em fevereiro, com a geração de 146 mil vagas, ante a 168 mil no mês imediatamente anterior.

Inflação

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 1,62% em março, frente a alta de 1,01% no mês anterior. No acumulado em 12 meses, o índice permanece com dois dígitos, alcançando 11,30%.

Mesmo com as expectativas de significativa repercussão da alta nos preços dos combustíveis sobre a variação de março, o resultado surpreendeu pela velocidade com qual o reajuste foi repassado para o IPCA.

O IGP-M avançou 1,74% em março. Com este resultado, o indicador acumula alta de 14,77% em 12 meses.

No curtíssimo prazo, mesmo tendo influenciado o IGP-M de março, acreditamos que as altas nos combustíveis devem ter maior impacto
sobre os resultados de abril e maio, levando o índice a apresentar substancial dilatação no primeiro semestre de 2022.

Política Monetária

Em sua reunião de março, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros para 11,75% ao ano.

Prospectivamente, esperamos novas altas de 1,0 p.p. e 0,5 p.p. nas próximas reuniões, de forma que a taxa Selic encerre o ciclo de aperto monetário em 13,25% ao ano.

Em relação ao cenário internacional, o Copom avalia que o ambiente se deteriorou substancialmente a partir do conflito entre Rússia e Ucrânia, o que levou a uma piora significativa nas condições financeiras e ao aumento da incerteza global.

Domesticamente, o Comitê nota que a inflação ao consumidor segue surpreendendo negativamente, com diversas medidas de inflação subjacente situando-se acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta inflacionária.

Política Fiscal

Em janeiro, o setor público consolidado reportou um superávit primário de R$ 101,8 bilhões. Com o resultado, o setor público acumulou um superávit na ordem de 1,2% do PIB nos doze meses encerrados em janeiro.

A dívida líquida do setor público em relação ao PIB, por sua vez, encerrou janeiro em 56,6% do PIB, valor equivalente a R$ 5,0 trilhões. Já a dívida bruta do governo geral fechou o mês em 79,6%.

De qualquer forma, o panorama fiscal positivo segue ofuscado por sinalizações descuidadas do governo federal – que, à vista das eleições, segue cedendo a pressões de grupos de interesse. Com efeito, ainda que a PEC dos combustíveis não deva seguir adiante, a desoneração
do diesel e do gás de cozinha continuam no radar – com custo estimado de R$ 19,5 bilhões. Por fim, ressaltamos que o bom desempenho nas contas públicas repercute, sobretudo, fatores conjunturais.

Taxa de Câmbio

O Real encerrou 2021 em patamares historicamente depreciados – que não respondiam aos fundamentos de médio e longo prazo – mantidos por um cenário político incerto, apesar de um quadro fiscal conjunturalmente bom. Nos primeiros meses de 2022, a moeda brasileira recobrou parte do seu valor, refletindo o diferencial de juros ante as economias desenvolvidas.

Esperamos que a moeda brasileira espelhe, ainda este ano, o risco eleitoral. Com o encerramento do pleito, acreditamos que o Real recobre sua trajetória de apreciação ao final do ano.

Para o médio e longo prazo, antevemos um real relativamente estável em um patamar historicamente depreciado, embora em menor nível ante ao biênio 2020/2021. Esperamos que o movimento reflita um pior quadro fiscal e seja contrabalanceado, ao mesmo tempo, pelo diferencial entre os juros brasileiro e norte-americano.

BY ALEXSANDER QUEIROZ SILVA
Fonte: 4E Consultoria

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